A Escolhida
É difícil levantar às vezes da cama. Na verdade, é difícil levantar todos os dias animado o suficiente.

Acordar, despertar, levantar, seguir para o trabalho, pegar um ônibus, um segundo ônibus, subir escadas as pressas, pegar o elevador, chegar ao RH, trocar a camiseta por manga longa e gravata, entrar em uma sala sala cheia de mesas, sentar de frente ao computador e passar as próximas seis horas do dia tentando ser eficiente.

Num total tédio, onde pessoas falam ao telefone, gritam entre elas, correm, te cobram seus serviço, se esquecem do combinado, bebem café, ignoram água e complicam situações que deveriam descomplicar.

Já vejo a mesma ladainha há 6 meses, mas pra mim é como se tivessem passado 26 anos, o mesmo tempo, ou até mais do que vivi o resto de minha vida.
Eu ainda estou bem, fui ao médico na semana passada e ele me fez um check-up, meu coração bate no ritmo certo, minha pressão é 12×8, minha açúcar no sangue não é preocupante e minha pequena barriga de cerveja só necessita de alguns meses sem álcool e algumas horas de malhação por dia.

Mas eu sinto moleza, cansaço, preguiça e falta de motivação. Antes eu diria que isso é fruto de minha falta de mulher durante as noites, de mad**gada pra ser mais exato, quando eu apenas assisto a um razoável filme pornô e me masturbo. Odeio dizer isso mas é o que faço e o que vários outros homens fazem para seguir em frente.

Sou despreocupado, verdade, nunca me envolvi em um matrimonio, não tive e nem pretendo ter filhos e minha ultima namorada se foi há dois anos atrás.

Ah! Uma namorada! Como é bom me lembrar dela! Na verdade é o que me pego fazendo na maioria das vezes. Loirinha, baixinha com um sorriso encantador, ela adorava dar mordidinhas em mim e eu amava aquilo. Transar com ela era a coisa mais gostosa que tenho lembranças, adorava passar de vagarinho minha linguá na ponta dos seus seios e seguir em frente descendo diante as suas curvas até chegar em seus clitóris! Me lembro que ela tentava em vão me impedir mas logo era tarde demais pois ela já estava em delírio e entregue ao prazer e a magia luxúria.

Enquanto eu fantasiava e me pegava trabalhando nas horas vagas, eu ficava imaginando quando é que minha sorte mudaria e eu poderia fazer isso novamente. E após mais um dia infrutífero, eu terminava meu expediente sem quase nada de meu trabalho adiantado, apenas algumas poucas coisas enroladas e mal resolvidas, o suficiente para enrolar o meu chefe por alguns dias e apresentar uma outra ideia falida que me sustentaria por ali até o fim do mês.

Como fazia as vezes, parei um taxi e gastei uma grana que não deveria para chegar em casa mais rápido, eu não queria ficar em um ônibus por mais algumas horas e graças ao tempo ruim, certamente economizaria alguns minutos e poderia relaxar, jogar um game, me masturbar ou até mesmo tomar um banho mais cedo.

Quando taxi parou de frente ao flete que eu alugava a chuva já caía com vigor e eu ficava aliviado por não ter que tampar a piscina hoje, conforme o combinado que reduzia em algumas dilmas o meu aluguel, corri escada acima até o meu quarto, 108, enquanto via os vizinhos embaixo (dos quartos do térreo) rapando a rodadas suas varandas e xingando horrores a mãe do maldito que havia planejado aquele lugar sem pensar totalmente na evacuação da água. Por sorte, eu não tinha esse problema… mas tinha outros, como o inchaço da porta do meu quarto que simplesmente emperrava e me fazia chutar, excomungar a mãe do maldito que instalou uma porta de madeira na entrada e não uma veneziana.

Enquanto brigava com a porta, senti um calafrio e percebi que a temperatura estava caindo, enquanto balançava a cabeça olhei acidentalmente na curva entre o 108 e o 109 e vi uma pessoa sentada em cima de uma mala e com uma mala maior a sua frente, desisti de pressionar a porta e puxei pra cima enquanto elevava meu semblante tentando ver o rosto da pessoa, como vi cachos no cabelo satisfiz minhas esperanças pois se tratava de uma mulher, ao tempo que consegui abrir a porta emperrada.

Soltei um “ufa! Até que enfim” e chamei a atenção da moça pra mim.

Ela se levantou e foi na minha direção, ela usava um vestido beje simples que cobria todo o seu corpo, porem sem mangas e ela possuía uma cheiro de incenso que se misturava ao perfuma fraco que ela usava e ao creme de seu cabelo molhado que estava mais que evidente devido ao meu apurado olfato. Tentei sentir nela o famigerado cheiro da marola comum em pessoas que vestem desse jeito, mas logo desisti pois percebi que ela usava uma melissa florida e suas bagagens não eram trapos, mas sim malas de quem estava viajando.

“O Senhor mora aqui?” – Perguntou quase afirmando enquanto eu balançava a cabeça e empurrava a porta.

“O senhor sabe me dizer se mora uma tal de Ana da Abadia nesse quarto 109?” – Insistia ela em quase afirmar o que perguntava enquanto eu negativava e respondia que nunca o havia ouvido falar desse nome.

“Me lembro de uma senhora que morava ai, mas ela se mudou há mais ou menos um mês.”
“Dias atrás veio um moreno alto que levou o resto das coisa que ainda estavam no apartamento, sei disso porque o zelador me falou que ele não devolveu a chave e aparentemente a mulher deu o cano em seus últimos três meses de aluguel”.

Quando terminei de falar, notei que eu havia falado demais e que eu deveria ter me contido a falar um pouco menos, ou seja, ter apenas respondido o que ela queria de maneira mais leve, sem insinuar nada. Mas eu não consegui, pois enquanto eu falava, ela olhava pra mim como se engolisse a história e eu também tentava ver a auréola dos seios delas na transparência do seu vestido molhado. Literalmente eu a comia com os olhos, mas de minha forma, sem parecer, sem deixar perceber, conforme fiz minha vida toda e como um bom vouyer.

Ela recuou um pouco, enquanto isso eu adentrei meu apartamento, a primeira coisa que fiz foi me livras dos sapatos enquanto eu procurava meu chinelos. Era o momento que me senti em casa de verdade e percebia que minha missão diária, mesmo que não valendo bosta nenhuma, havia chegado ao fim. Enquanto jogava carteira para um lado, celular pra outro, ligava a TV e bebia um gole d’água, vi a moça bater a porta aberta e dizer “Senhor, sabe onde existe um hotel ou pousada aqui por perto?” Eu estava com a porta da geladeira aberta e destampava uma garrafinha de Coca-Cola KS (sou uma especie de capitalista que tenta não produzir a cota de 2kg de lixo por dia). Voltando a sala e percebendo que ela estava no corredor do lado de fora tomando o vento molhado da chuva que engrossava ainda mais, falei sem pensar: “Entra e fecha a porta, senão molha tudo”.

Enquanto ela o fazia como se obedece diante minha brutalidade e falta de educação, eu comecei a contar ela o dia que passei 12 horas a procura de um hotel na cidade e não encontrei. Quando achava ou era um chiqueiro ou era um palácio. Não havia meio termo em uma cidade que não tinha atrativos para turistas.

Ela ficou em pé enquanto me ouvia e eu escorado sofá. Ela estava molhada e evitava pisar no carpete enquanto os estrondos e lampejos castigavam em forma de uma chuva que parecia devorar aquelas bandas… coisa normal do centro oeste que muita gente de outros lugres estranhava e certamente ela o fazia.

Como estava parada, ela começou a tremer e se arrepiar, eu também havia ligado o ar da sala, tinha me acostumado com aquela droga e percebi que aquilo ia me ajudar no meu plano “maléfico” que ia colocar para funcionar a seguir.

Deixei ela ali em pé tremendo enquanto fui ao quarto e peguei a toalha mais seca que encontrei, por sorte havia estendido uma na cabeceira da cama antes de sair para o trabalho, fui até ela e entreguei a toalha toda embuchada dizendo “se enxugue”. Sem saber o que ia acontecer em seguida ela disse um rápido “obrigado” enquanto passava a toalha no cabelo e nos braços e eu sentava no carpete escorando no sofá como se não tivesse acontecendo nada.

Me mantive calado enquanto o silencio a matava por dentro, enquanto isso ela ia tomando mais coragem, ajeitou as malas e começou a passar a tolha nos pés e pisou descalça no carpete. Ela sentia frio e olhou rapidamente para o ar ligado no 18, mas sem que eu percebesse, e vagarosamente ela se sentou no carpete há mais ou menos um metro de distância de mim e usou a toalha como para aquecer os ombros, simulando ali que estava com frio.
Eu peguei os controles e desliguei a TV e o AR, me levantei e desliguei as luzes da cozinha enquanto um raio imenso caía por perto e desligou a energia por alguns segundos.

Ela começou a contar vagarosamente de onde ela veio e o que fazia ali, historinha mais que esperada por mim, eu olhava pra ela com desdem e perguntava coisas simples e simplesmente nada a ver com o que ela contava como “você andava de cavalo na sua cidade?”, “tinha gato ou cachorro em casa” e “já tirou carteira de motorista”. Ela se impressionava com tanta pergunta sem sentido diante ao drama dela de estar desamparada em uma cidade grande enquanto sua tia sumiu junto a um malandro.

Eu deixava claro que nem estava ai pra o que aconteceu ou deixava de acontecer a ela e por fim comecei a fazer piadas como “sua tia odiava você eim, nem mandou um SMS”. Por fim ela não aguentou e começou a rir de sua própria desgraça e soltou sem querer um “você é mal eim!”.

Na hora fechei a cara e disse: “claro que não sou”, ao tempo que levantava e ia direção dela: “estou apenas percebendo um lado positivo em sua história”. Dei as mãos para ela e a ajudei a levantar ficando o mais próximo dela possível. Tão próximo que senti o seu verdadeiro perfume, o natural, aquele que ninguém esconde e poucos percebem.

Soltei a mão dela devagar, abri a porta e olhei para o tempo fechado contendo a chuva e dizendo “você não conseguirá embora agora, tome um banho quente, deve ter algo pra comer na cozinha”.

E eu percebi em seus olhos que ela aceitava a acolhida, já que não havia mais o que fazer e ela já sentia um pouco confortável ali e com minha presença.

Fechei e discretamente tranquei a porta, peguei a mala maior que estava com ela e também puxei de suas mãos a mala menor que ela carregava, ela tentou me impedir mais já era tarde demais e então me dirigi ao meu quarto , na verdade, o único que havia naquele apartamento.

Naquele momento eu fiquei um pouco confuso do que realmente eu faria, eu queria que ela tomasse um banho quente, e eu queria vê-la tomando esse banho, ia ser algo difícil já que não fazia nem mesmo uma hora completa que eu havia conhecido ela. Eu precisava de um plano rápido e não tinha muito tempo para elaborar. Nesse momento meu coração já palpitava em um tesão gostoso, mas eu precisava disfarçar isso, rápido, muito rápido.

Quando entrei no quarto, olhei diretamente no banheiro que estava com a porta aberta. A porta de compressado era muito bem acabada e não tinha nenhuma fresta da qual poderia espiar, além disso havia o box do banheiro que poderia me atrapalhar, a jogada tinha que ser mais tática, mais precisa e mais divertida.

A moça continuara na sala, olhava tudo de um lado para o outro, se familiarizando. Ela também não sabia o que pensar dessa situação inusitada e enquanto olhava uma rara fotografia minha e de alguns amigos que estava na estante ela perguntou em voz alta se eu morava sozinho.

Lá do quarto mesmo exclamei que estava na cidade há trabalho e já havia seis meses. Minha família havia ficado no interior e frisei que essa minha família não passava de minha mãe, um tio e alguns irmãos e primos. Nada que me comprometia.

Enquanto eu falava as ideias clarearam um pouco, deixei as bagagens dela sob minha cama, entrei no banheiro e retirei o sabonete, a bucha, a toalha, o papel higiênico e por fim mudei a chave do chuveiro para o frio. Fiquei um minuto parado pensando se aquilo não era sacanagem demais com a pobre moça, mas me conformei quando percebi que eu poderia fazer as coisas correrem normalmente, sem com que ela percebesse nada.

Guardei as coisas que peguei no roupeiro e saí para a sala de modo calmo, indo primeiro a cozinha e pegando uma jarra de água e um copo. Levei até a moça que aceitou (aliás, já deveria fazer um tempo que ela não bebia nada).

Depois que guardei a jarra voltei a sala e olhei pra ela com um pequeno sorriso: “ta com frio né?”.

Ela disse sim balançando a cabeça e vagarosamente elevei minhas mãos até as costas dela ainda coberta pela toalha e acompanhei ela até o meu quarto. No quarto o barulho da chuva estava mais abafado, esperei ela entrar e então encostei a porta bem de vagarinho, sem tranca-la. Ela olhava o meu quarto semi-arrumado como se tivesse um pouco impressionada, observou bem a cama (que era de casal, pois odiava dormir em cama de solteiro) e então eu cheguei pelas costas dela e puxei a toalha molhada dizendo que ia pegar outra pra ela.

Por sorte, quando me mudei minha mãe colocou na mala uma toalha extra que era de meu irmão menor, era uma pequena toalha, suficiente pra ela se enxugar e talvez um pouco pequena pra ela se cobrir.

A toalha na cor verde se encontrava bem por baixo no pequeno roupeiro, enquanto procurava, quase que derrubei acidentalmente o papel que havia retirado do banheiro.

Ela foi em direção de sua mala maior e rapidamente selecionou uma muda de roupa e uma blusa de frio, ela deixou a blusa em cima da cama e embolou um shortinho e uma camiseta leve tampando duas peças de roupa de baixo.

Eu comecei a imaginar que meu plano não ia dar certo quando ela pegou a mala menor e começou a procurar algo, fiquei imaginando se ela não ia pegar papel, bucha e sabão, mas fiquei imaginando que não, achei ela distraída demais para carregar isso. E eu acertei quando ela tirou apenas um condicionador, um creme de pele e um creme dental com escova.
Enquanto ela pegava as coisas eu me sentei na cama, olhei pra minha blusa e num movimento rápido retirei a mesma enquanto eu falava que tinha que secar aquela camiseta e passar pois precisava dela amanhã no trabalho, ela me especulou sobre trabalho e então comecei a falar da empresa de marketing.

Fui falando, contando causos e ela também sentou na beirada da cama, deitei de costas na cama enquanto frisava o quanto era estressante o meu trabalho e vi que ela ficou pensativa logo após minha queixa. Ficamos alguns minutos em silencio e então ouvi o estomago dela roncar. Ela percebeu que eu ouvi, pois fiz uma cara feia tipo “nada mau” ela abaixou a cabeça e começou a rir tampando o rosto com as duas mãos e no momento de descontração dela retirei minha calça, tipo tentando esquecer aquilo e dizendo vou tirar essa calça também porque ela ta molhada.

Pronto, lá estava eu usando uma cueca box, com meu pênis contido de frente a ela e ela mal se aguentando de rir por causa do ronco do estômago. Fui dizendo que ia começar a preparar algo enquanto ela tomava um banho e tomei ela pelas mãos a botando de pé e encaminhando ela para o banheiro.

Ela entrou no banheiro e trancou a porta, eu soltei a respiração e fiquei meio mole quando comecei a imaginar a loucura que eu estava fazendo. Mas já era tarde para recuar, abri a porta rapidamente, fui a cozinha, peguei dois pacotes de macarrão instântaneo e coloquei numa tijela com água dentro do micro-ondas, antes que de ligar, voltei correndo ao quarto pois ela me chamava.

“Aqui não tem papel, você tem ai?” Fiquei feliz por ouvir você ao invés de senhor e peguei o papel no guarda roupa e coloquei rapidamente na frente da porta enquanto e saí rápido dali dizendo “tá ai na porta, tô com um negócio no fogo aqui”. Puxei a porta do quarto de vagar e deixei uma fresta para que eu pudesse observar. Ela destrancou a porta do banheiro de vagar e mesmo vendo que não havia ninguém no quarto e a porta fechada, puxou o papel com cuidado, sem abrir muito a porta. Fiquei indignado e pensei “Oh mulher cabreira!” Voltei pra cozinha e fiquei mexendo no armário como se estivesse fazendo algo útil ali.

Pouco depois voltei ao quarto e escutei a água do chuveiro começando a cair… passava alguns segundos e o chuveiro era ligado e desligado e eu imaginando ela tentando fazer o chuveiro no frio aquecer. Comecei a pensar se eu não deveria ter desligado logo era o disjuntor, mas descartei ao lembrar que a caixa ficava do lado de fora do apartamento.

Ouvi um “que droga” e fingi entrar no quarto fazendo barulho e perguntando “ta tudo certo ai?” ela retrucou dizendo que não estava “o seu chuveiro não esquenta, será que acabou a energia?” Ela nem tinha percebido que havia uma luz ligada ali no banheiro e eu comecei a desacreditar dos conhecimento dela, feliz, pois sabia que ela não ia conseguir ligar a chave da ducha no quente.

Dei um toque na porta com os dedos e disse rapidamente “abri ai que eu vou consertar”, ela desligou a água e disse “um instante”, nesse momento notei que ela não havia trancado a porta e firmei a mesma um pouquinho, abrindo uma fresta e conseguindo ver de relance ela de costas se enrolando na toalha ainda dentro do box. Voltei rapidamente a porta assim que ela se virou e entrei no banheiro olhando pra baixo quando ela abriu a porta se escondendo atrás da mesma. Fui direto no box e liguei a água sem nem mesmo importar com a presença dela ali, apesar de querer em meu intimo observar cada cantinho dela naquela toalha minuscula.

Quando a água começou a cair perguntei a ela: “você ligou os dois registros ao mesmo tempo?” ela respondeu que não, só havia ligado o quente e eu em um tom meio bravo e mentindo que nem o pinóquio (com o detalhe que outra coisa que crescia), disse que tinha que ligar os dois registros, senão a água quente não dava pressão na fria. Ela soltou um “ahhh” e eu me afastei e disse, liga os dois de uma só vez pra você ver, ela passou por mim tendo eu agora a oportunidade de reparar suas lindas pernas brancas, mas fiquei indignado com a capacidade dela de caber naquela toalha, porém notei que era difícil pra ela segurá-la e com muito esforço e quase derrubando a toalha que ela conseguiu abrir os dois registros ao mesmo tempo.

Eu viajei por alguns minutos imaginando ver a bunda dela enquanto a toalha caía, só voltei a mim quando ela disse que água ainda continuava fria. Parei por um minuto e fiquei olhando a ducha e soltei mais uma mentira: “só pode ser a chave da energia que caiu por causa dos raios”. Olhei rapidamente pra ela, que era uns 10 cm mais baixa que eu e meio que dobrando as pernas e levantando as mãos pra cima fiz uma cena ridícula fingindo não alcançar a ducha pra mudar a temperatura. Ela olhou desconcertada pra aquilo, mas engoliu o drama dizendo: “é melhor você pegar uma escada, não?” Numa cara de pau e quase não aguentando pra não rir da situação, fingi uma seriedade enquanto dizia que só havia escadas na casa de ferramenta, lá no terreo e que e tinha que passar pela chuva pra chegar lá.

Ela suspirou e eu encarei ela no banheiro pela primeira vez e disse sem pestanejar: “você é leve, vou te levantar um pouco e você volta a chave para o quente” Ela fechou um pouco o semblante e ficou pensativa por um instante, olhou pra ducha e disse “mas será que esse negocio não da choque não?” Eu descartei todas as possibilidades dizendo que com o chuveiro desligado isso nunca aconteceria e ainda por cima a chave era de plastico.

Ela abaixou a cabeça por um instante e tentou apertar melhor a toalha contra o corpo para que não caísse dizendo “essa toalha é tão curta” e eu brinquei dizendo “ou talvez você não seja tão leve como eu estou pensando”. Ela riu e apertou os lábios e eu sinalizei pra ela se posicionar na minha frente, ela veio e eu ajoelhei com um joelho apenas e abracei a bunda dela levantando em seguida, tomei cuidado pois pensei que ela poderia ate bater a cabeça no estuque, mas notei assim que a levantei que ela era mais baixa que eu pensava. Nos primeiros segundos me lembrei que eu já não era um garoto de 20 anos que ia a academia todos os dias e meu fôlego já encurtou em um cansaço repentino. Firmei o “golpe” ali e falei “viu a chave em cima da ducha, ela falou “Sim, viro pra esquerda ou direita?” Nesse momento a toalha em fim foi útil e escorregou enquanto eu falava sem ter certeza “direita”, mas sem conseguir olhar pra cima. Ela exclamou rapidamente “Ai! A toalha!” e eu fui mais rápido dizendo “liga logo a chave que eu nem to vendo”.

Com os seios descobertos ela ligou rapidamente a chave dizendo “pronto” e eu a desci devagar, esfregando ela contra o meu corpo para que não amontoássemos no chão, por fim parei com as mãos entre um pedaço da toalha e seus seio nu. Os seios dela eram menores que parecia inicialmente, e fingi ajudara com a toalha enquanto curtia segundos de toque em suas tetas.

Ela amarrou a toalha e soltou um sorriso rápido como se aquilo tudo tivesse sido divertido e ligou o chuveiro que fez a luz piscar rapidamente, confirmando que a água estava sendo aquecida.

Comecei a sair do banheiro e peguei suas roupas molhadas no chão dizendo “vou colocar na máquina pra você”, ela agradeceu enquanto eu fechava o box que já umedecia com a água quente naquele frio.

Ela quis voltar e fechar a porta do banheiro mas eu fiquei de frente o espelho olhando minhas olheiras e resmungando um sono perdido. Quando ela notou que o box estava embaçado, ela retirou a toalha e entrou na água quente. Por segurança, ela colocou a toalha em cima do box tapando a visão do perímetro do chuveiro. Alguns segundos se passaram e eu perguntei a ela se havia sabão. Ela parecia nem ter esquentado com isso ainda e verificou rapidamente dizendo “não”. Falei que ia pegar pra ela.

Saí do banheiro, corri até a máquina do lado de fora e passei um pouco de água da chuva na cara, como se eu quisesse acordar para a realidade, voltei ao quarto e comecei a imaginar como ia entregar a ela o sabão, peguei o sabonete, aproveitei minhãs mãos um pouco molhada e passei nele para que ficasse escorregadio, peguei a bucha e coloquei por cima do sabão e levei com cuidado até a porta do box, bati com os dedos da outra mão no box e ela abriu com certo cuidado usando a toalha estendida como escudo. Pra desfaçar tamanha ousadia perguntei se a água estava quente mesmo ela disse “sim, agora está ótima” enquanto desbravou um sorriso. No mesmo momento ela tentou pegar a bucha e o sabonete de uma só vez e eu derrubei o sabão dizendo “opa, minha mão tava molhada”, ela se esqueceu de qualquer protocolo adotado e meio rindo saiu atrás do sabão que escorregara em todo banheiro enquanto eu abri mais um pouco a porta e enfim pude contemplar seu corpo por completo. Os seios dela tinha o acabamento rosado, pontiagudos e com uma áurea pequena, mas não minuscula. Sua bunda era o esperado, já tinha imaginado o tamanho, mas vi que era ainda mais perfeita nua, a mesma tinha um formato redondinha e era branca, mas não muito, talvez não fosse tanto se pegasse um solzinho, Ela não tinha barriga e nem era travada e possuía um piercing discreto no umbigo. Só voltei a mim mesmo quando ouvi ela dizendo “peguei”. Foi nesse momento que ela percebeu que eu estava olhando ela nua correndo como uma gatinha branca ensopada atrás do sabonete. Nesse momento não houve cinismo em mim que evitasse minha reação de espanto, espanto maior foi quando vi que ela continuava rindo enquanto eu olhava pra ela nua e ao tempo que eu desci o olhar até seus pelos pubianos, ela desceu a mão vagarosamente até a região e a tampou enquanto também escondia os seios com o sabonete nas mãos.

Pela primeira vez naquele dia eu fiquei sem palavras e olhei nos olhos delas que eram um castanho bem escuro, ela apenas manteve o sorriso parada, me olhando nos olhos também. Senti vergonha naquela hora por tudo que tinha feito só pra vê-la nua, como se quisesse tomar um trem andando e não esperá-lo na estação. Mas não sentia nenhum pingo de arrependimento.

Recuei e fechei o box dizendo “pode tomar banho em paz agora” e fui pra cozinha ligar o micro-ondas.

Fiz o macarrão, cortei um tomate, e bati umas polpas de uva no liquidificador. Deixei o macarrão no forno mesmo afim de que ele não esfriasse e voltei ao quarto quando vi que ela tinha desligado o chuveiro.

A porta do banheiro estava escancaradamente aberta, como eu havia deixado e ela ainda estava no box se enxugando, rapidamente peguei meu condicionador e entrei no banheiro ao tempo que ela abria o box, puxei a porta do banheiro com uma mão e levantei o condicionador dizendo a ela: “a comida ta pronta, vou tomar um banho rápido enquanto você se troca, pois estou com frio” passei esbarrando nela e senti sua pele perfumada e arrepiada com o frio fora do chuveiro, entrei rapidamente no box e deixei a porta meio aberta enquanto tirava a cueca e jogava em um canto fora do box, ela olhou aquilo e ameaçou sair do banheiro enquanto eu puxei uma conversa rápida sobre ela, agora sim eu puxava a conversa certa, perguntei a ela de sua mãe e seus outros parentes e até mesmo se ela havia deixado um namorado para trás. Ela riu e foi respondendo aos poucos enquanto passava a mão no cabelo secando em frente a pia e me olhava em relance no box.

Excitado, eu tomei um banho rápido conversando e olhando pra ela, porem me mantendo mais de costas, como se eu quisesse esconder algo. Ela secou o cabelo com as mãos e olhou pra mim antes de se secar com a toalha, antecipando o movimento olhei diretamente para a ducha me cegando por uns instantes enquanto lavava o rosto e me virei para ela, passando devagar a mãos no box e observando incansavelmente seu corpo nu, agora enxuto e arrepiado. Fiquei um tempinho ali olhando enquanto ela pegou o creme e passou nas pernas e num rápido movimento pegou a calcinha e vestiu. Eu desliguei a ducha e fingindo sabão nos olhos pedi a ela a toalha, abrindo o box rapidamente.

Disfarçadamente ela colocou as mãos nos seios e veio em minha direção, enquanto eu nu e apertando os olhos ficando a visão dela pegando a toalha e passando no rosto. Notei que ela olhou para meu pênis meia bomba no momento e se virou pegando o sutiã. Eu desci a toalha de forma a tampar meu documento e fui me enxugando na frente dela, como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo. Enrolei na toalha da cintura pra baixo e notei ela se atrapalhando com o sutiã e ofereci ajuda para fechar o mesmo, encostei bem atrás dela e passei as duas mãos na frente do sutiã e bem devagar pressionei o mesmo nos seios dela, ajeitando, enquanto supirava morno nos seus ouvidos e via a pele dela se arrepiar mais ainda. Ela ficou parada e nem se mexia direito como se esperasse o próximo passo, terminei de abotoar e desci as mãos na cintura dela, peguei o shortinho e coloquei pra ela encaixar as pernas no mesmo, ajudando ela a vestir bem devagar. Quando short chegou a cintura virei ela de frente e puxei o zíper olhando pra ela e dizendo: “vamos comer? Sei que você ta com fome”. Ela sorriu lembrando de seu estomago que estava roncando a pouco, eu saí do banheiro, vesti uma cueca de algodão bem macia e uma bermuda por cima e fui para cozinha terminar o “jantar”.

Dez minutos depois ela veio, comecei a me desculpar por não ter nada preparado melhor, e disse a ela que nas noites de quinta feira costumava comer pizza, mas achava difícil um motoboy encarar essa chuva para a entrega.

Comemos o macarrão com legumes e servi alguns doces caseiro que estavam guardados a dias para um momento especial, e por fim peguei uma bolacha de sal e um pouco de patê de frango que havia na geladeira.

Ela comeu muito e adorou o patê, fiquei pensando se ela não nunca havia experimentado aquilo e ela disse que não, que já havia visto mais nunca comido. Ela sorriu e começou a contar a realidade dela e dessa vez sim eu dei ouvidos.

Ela estava ali para fazer faculdade e trabalhar, seus pais haviam passado por uma separação e nenhum dos dois estava bem o suficiente para bancar seus estudos, uma tia dela, durante seu aniversário no meio do ano passado, havia feito o convite para que ela fosse morar com ela, ela aceitou e fantasiou uma nova vida na cidade grande, sua tia deixou de manter contato há um mês e meio, havia citado que estava querendo voltar com um namorado antigo, e agora, diante minha revelação sobre o moreno forte que voltou para pegar as coisas do 109, ela deduziu que sua tia estava com problemas financeiros, voltou com o namorado e passou a morar com ele.

“Eu devia ter ouvido meu pai, que não confiava em sua ex cunhada, mas contrario a isso eu menti pra ele dizendo que minha tia havia ligado e que já tinha arrumado até um emprego pra mim”. Relatou ela tristemente, enquanto eu caía de pára-quedas na situação.

Repreendi ela pela mentira, conversei e dei conselhos. Sugestionei os passos que ela deveria seguir: ligar para o pai e a mãe dela, dizer que não encontrou a tia e dormiu em um hotel e que estava voltando bem cedo. Ela ouviu enquanto encaracolava o cabelo com os dedos, olhou pra mim com um olhar distante e abaixou o semblante. Um silencio mortal se instalou ali, quebrado apenas pela chuva que voltou a cair forte, acompanhada de ventos e trovões. Me levantei e olhei para a janela e comecei a lembrar as coisas, notei um barulho diferente, fui até a sala e observei que o celular dela tocava na bolsa menor que estava sob a cama. Voltei e disse a ela, ela foi até o quarto e voltou com o celular em mãos, olhando enquanto ele tocava.

“É minha mãe? Será que eu atendo agora?” – Nesse momento senti um frio que não havia sentido ainda mesmo com tanta chuva, olhei pra ela e ela me olhava com os olhos brilhando, como se quisesse chorar, lembrei de tudo que aconteceu no banheiro e meus neurônios começaram a votar em “sim” e “não”, fiquei atordoado e sem resposta até que o celular parou de tocar.

Me aproximei dela, passei a mão em seu cintura e lhe dei um abraço, sem entender, ela me abraçou também. Há anos eu não sentia um abraço igual aquele e assim que o celular dela tocou novamente eu sussurrei em seu ouvido, sem soltara: “Diga que está na casa de sua tia, e ela não voltou do trabalho ainda por causa da chuva”… E assim ela o fez.