Gangbang

Razão ou tesão?
“Uma mentira de vez em quando não faz mal a ninguém”, disse-me ela e eu deixei-me levar. Deixei-me levar por uma dica da minha avó paterna e depois deu nisto. Uma ajuda bem sábia, com certeza, mas depois pensei “mais vale ter um pássaro na mão que dois a voar”…

Há muito tempo que estava a namorar com a Flávia e a nossa relação estava a caminhar no sentido de dar o próximo passo. Ela estava a fazer-me demasiada pressão para sair de casa para irmos morar juntos e a minha família também não ajudava muito neste sentido. Em almoços de família:

– “Então Jorge, quando encomendo o leitão para a despedida de solteiro?”

Dizia-me o meu primo Eduardo e como resposta eu ria-me e dava um gole na minha cerveja gelada que tinha na mão. A Flávia é que respondia dizendo:

– “Estamos a pensar para o final do ano, não é querido?”

Eu ria-me novamente, e acenava com a cabeça num gesto afirmativo e bebia da minha cerveja. Não sabia onde me meter.

Há uns meses para cá que encontrei uma rapariga nas redes sociais e começamos a falar. A forma sensual como nos tratávamos, a forma carinhosa de como ela pensava em mim, fazia-me esquecer da Flávia.

Não demorei muito tempo até decidir marcar um encontro com ela, a Rita.

Marcámos vários cafés, até acontecer a questão:

– “Vem comigo agora, vamos até um motel.”

Ela simplesmente esboçou um sorriso sedutor e acenou afirmativamente ao meu pedido. Paguei a conta e não esperei pelo troco. Corremos até ao meu carro.

A Rita era magrinha mas com um rabo bem arrebitado. Uma morenaça com seios bem voluptuosos. O que eu sonhei com ela nos últimos meses. A pensar nas fotografias que ela tanto colocava na Internet, para todos, como as que enviava exclusivamente para mim.

Quando chegámos ao motel fomos logo experimentar a banheira. Comecei por molhar o seu corpo e depois dei-lhe banho, passei-lhe o gel de banho em todos os recantos do seu corpo perfeito.

A visão de mim com a Flávia, numa vida a dois, estava neste momento bem longe da minha mente. Enquanto lhe passava o gel de banho, o meu pénis ereto ia-lhe roçando na perna, e ela não foi de modos. Pegou num bocado de gel de banho e começou a lavar-me também. Os nossos corpos estavam bem colados, mas o momento era demasiado sensual para haver qualquer penetração. Estávamos num clima de romance.

Estivemos na banheira um bom bocado, até que ela se senta em cima de mim, depois de tantos beijos trocados, ao saltar-me para cima daquele jeito dá-me um beijo demasiado arrebatador para me deixar sem ar e sem qualquer forma de agir. Fiquei petrificado. Ela colocou-me dentro dela, sem permissão. A água começou a transbordar fora da banheira a cada movimento que ela fazia sobre mim. Que visão que ela me proporcionou. Reclinou o seu corpo para trás e colocava-me um seio, de cada vez, na boca. Chupava os seus mamilos com dedicação.

Agarra-se com determinação aos meus cabelos e puxa-me a cara para junto do seu peito. Grita a cada rotação de ancas que faz. Estou prestes a atingir o orgasmo, e ela ao pressentir isso sai de cima de mim rapidamente, enrola-se numa toalha e diz-me:

– “Faz o mesmo. Espero-te na cama.”

Fiquei boquiaberto. Estava a ser tão bom, deu-me uma grande “break” no processo, mas a visão que ela me proporcionou foi de ficar a delirar.

Já seco, quando chego à cama, lá está ela. De pernas abertas, a brincar consigo mesma.

– “Estou só a aquecer enquanto não vinhas. Anda.”, diz-me ao ver-me entrar no quarto.

Ao chegar perto da cama, ela agarra-me no braço e atira-me para cima da cama, coloca-me de barriga para cima. Deixa-me novamente sem ar, ao dar-me um beijo arrebatador. Fico de tal forma hipnotizado que ao abrir os olhos, vejo-a em cima de mim. Tenho o sexo dela colado na minha cara.

– “Dá-me prazer, vai.” Diz-me enquanto toca nos seus seios.

Ela estava tão húmida. Coloquei um dedo, depois dois. Sentia o seu corpo vibrar a cada rotação que eu fazia com os meus dedos. Ao colocar a minha língua sobre o seu clitóris ela gemeu, um gemido tímido, mas bem gostoso de se ouvir.

Ela rodava as ancas à medida que eu a ia lambendo, reclinava-se para trás enquanto se tocava, agarrava nas suas nádegas ou por vezes nos seios, retorcia e apertava os mamilos.

Ficámos assim até ela se vir, perdi a noção do tempo pois estava a ser um momento demasiado excitante. Não fodia assim há imenso tempo. Mas a Flávia. A Flávia…

Começou a bater a consciência. E a minha motivação foi-se. Mesmo ao estar a ser submisso perante aquela morena, eu pensava era na pequenina que tinha em casa à minha espera.

Esperei por este momento já há alguns meses, estar com a Rita era nada mais nada menos do que um desejo, e nada se compara aos anos de partilha que tenho com a Flávia.

Dei-lhe o prazer que um homem deve dar a uma mulher…

A Rita já tinha atingido alguns orgasmos quando eu fiquei frouxo. Tentei melhorar a situação, ela ainda tentou puxar por mim. Dançou à minha frente, esfregou-se toda em mim, acariciou-me, beijou-me pescoço, orelhas, mamilos, até chegar ao meu pénis e sem resultado, fazer-me um oral.

Chegou um momento em que eu não aguentei ver mais aquela situação e pedi-lhe para parar. Mesmo ela sendo a deusa que é, a mulher que ela é, senhor mulherão mesmo, mas a minha mente e coração estavam e pertenciam a outra mulher. O meu pénis traiu-me, disse-lhe entre risos.

Ela sentiu-se magoada e usada, pois não era aquilo que era suposto acontecer, visto que ela nem sabia que a Flávia existia.

Vestimo-nos e levei a Rita até ao seu carro, que ainda estava estacionado ao pé do café onde o deixámos. Fizemos aquela viagem de carro e nem mais uma palavra trocámos. A Rita estava com os olhos cravados na vista e a respirar fundo, penso que tenha chorado um pouco. Mas naquele momento não tinha nada a dizer. Sei que lhe menti, sei que errei, mas não me importei. Ela não é relevante para a minha vida, mas sim para o meu dossier de troféus.

Depois de deixar a Rita, fui para casa tomar um banho de água fria e pensar no sucedido. Fugi durante uma semana. Sem dizer nada a ninguém, sem dar justificações, apenas ao meu patrão claro, fugi para Moçambique. Tirei esse tempo para refletir no que queria da minha vida. Deixei o telemóvel em casa, para estar mesmo incontactável. O encontro com a Rita baralhou-me os pensamentos.

A Flávia e os meus familiares ficaram às aranhas, sem saber o que se passava e por onde é que eu andava.

Quando regressei ao continente, fui direto a casa e começar com as explicações. A primeira chamada de realidade: encarar a mãe e dizer-lhe o que se passava.

A minha mãe ao reencontrar-se comigo chorou, a minha avó paterna fez o mesmo.

– “Por onde andaste Duarte? Por amor de Deus, isto que não se repita!”, dizia a minha mãe entre soluços.

– “Ai meu filho! O que fizeste tu?”, dizia-me a minha avó.

– “Tenham calma meninas, vou contar-vos tudo, sem escapar nenhum detalhe.” dizia num tom calmo.

Fiquei com elas durante duas horas e elas sem dizerem uma única palavra. Foi difícil encará-las e dizer-lhes as coisas como são.

Após a conversa com as minhas meninas, telefonei à Flávia.

“- Boa noite, meu amor!”, disse-lhe quando me atendeu o telefone.

– “Amor o caralho! Onde estiveste este tempo todo Duarte Miguel?!”

– “Querida, desce e anda tomar um café comigo.”

– “Quê?!”

– “Isso mesmo que tu ouviste. Respira, veste-te e vem ter comigo cá abaixo. Estou à tua espera.”

Ela espreita pela janela e a expressão dela é impagável. Com um ar de surpresa e de raiva estampado na cara, sorriu e acenou. Ela desvia-se da janela e passado dez minutos apressa-se a entrar no meu carro.

Ao entrar no carro, primeiro bateu-me e chamou-me de estúpido, mas pouco tempo depois abraça-se a mim enquanto chora e me diz ao ouvido que sentiu a minha falta, e que pensava que me tinha perdido em algum acidente. Pois, no dia em que estive com a Rita, a Flávia só tinha sabido de mim na parte da manhã, depois enfiei-me no trabalho e nunca mais soube nada de mim, nem online nem via telefone. É que nem os meus familiares a poderiam ajudar, visto que também não lhes confessei nada.

Levei-a até ao café. Inventei uma história qualquer, em que ela nunca iria desconfiar da existência da Rita. Essa que se evaporou da minha vida, como apareceu, desapareceu.

No final da conversa ajoelhei-me, tirei uma caixa do bolso e ao abrir disse-lhe:

– “Flávia, queres morar comigo?”

Na caixa estavam duas chaves. Uma era a da porta do prédio e a outra da porta de casa. As lágrimas vieram-lhe aos olhos. Abraçou-me e disse:

– “Estava a ver que não Duarte Miguel!”, entre risos.

Saímos do café a correr, pois queria-lhe mostrar o apartamento.

– “Comprei-o a pensar em ti. Espero que gostes”, disse-lhe.

Ela retirou a venda que eu lhe tinha colocado sobre os olhos e ficou com uma expressão nunca antes vista. Ela alucinou com o apartamento.

– “DUARTE!”. gritou ela. “É lindo! Acertaste mesmo no meu gosto!”

Abraça-se a mim e dá-me um beijo demasiado apaixonado, fogoso, ardente. Puxei-a para mim, coloquei-a ao meu colo, com as pernas ao redor do meu tronco e levei-a até ao balcão da cozinha, que eu sabia que ela ia adorar.

– “Ui!! Que a pedra está fria.” Disse-me assim que a pousei em cima do balcão.

– “Calma que ela já aquece”, disse-lhe com um sorriso maroto na cara.

Reclinei-a para trás, subi-lhe a saia para cima, puxei a tanga branca que ela trazia para o lado e comecei a devorá-la. Desapertei-lhe os botões do vestido até deixar o seu peito exposto. Ela tentava agarrar-se a alguma coisa, mas sem sucesso.

Dei-lhe o prazer que um homem deve dar a uma mulher. Deixei-a a delirar. Deixei-a sem ar. Exausta e despenteada.

Ela quis ser penetrada, pediu-me mais e mais, mas eu só lhe quis dar prazer a ela. Só a queria a ela. Não a mim.

Matei saudades do seu corpo, do seu cheiro, do seu sabor, do seu calor.

– “Eternamente teu, minha Flávia.”

Disse-lhe num breve sussurro ao ouvido enquanto lhe afagava os cabelos, enquanto ela adormecia calmamente e tranquilamente sobre o meu peito, na nossa casa. A nossa moradia.

Creditos: Alexa