Amateur

é a vida… fui um objecto.
fui uma máquina de foder.
preferi não viver.
uma alma queria-me para viver. queria mão com mão, passeios de fim de tarde, idas ás compras, fins de semana. eu, só o queria para me foder e foder-me era coisa que ele fazia como poucos fizeram e provavelmente mais ninguém o fará.
há coisa de 5 anos (ou mais.. foi tempo que não dei por passar) estava de saída de um pesadelo. a vida de casada. o dia a dia lamechas. as reuniões tardias dele. as desculpas de baton no colarinho. piorou. veio o terror, as ameaças, os advogados, partilhas com pouco para partilhar. aceitei o que me deu e fugi. encontrei este site e um outro. entrei a medo em ambos. voyeur por algum tempo. fui atiçando-me, provocando-me, desfiando-me. conheci um senhora que por cá andava (e por cá anda ainda), conversamos horas por escrito, depois por telefone, foi-me moldando uma persona, despertou-me um EU que não fazia ideia que pudesse existir. é certo que tinha tido todas as maluquices da adolescência, o serviço militar “alternativo” em israel e por fim as tentativas de salvar o que não podia salvar alinhando em jogos perversos propostos pelo ex. o que foi nascendo, implantado em mim era completamente diferente, seria eu a tomar a dianteira, a senhora de mim, com os meus desejos na frente, totalmente insensível à(s) outra(s) parte(s). o problema é que a certa altura a persona toma conta daquilo que somos, passamos a ser personagens secundárias e vivemos 24h num ser que nunca fomos. decidi então que o que eu queria era ser fodida, nada mais. fodida sempre. escolhia, definia o guião, dava as ordens e acção, fodida sempre e de preferência muitas vezes e muito bem fodida. e fui. durante 2/3 anos a minha vida foi essa. andei de hotel em hotel, apartamento em apartamento, de carro em carro, em varios sites cam ao vivo(alguns videos ainda andam por aí). foderam-me casados, casais hetero e bi, houve até um casal gay que queriam experimentar uma mulher, foderam-me em grupos de 5 e a solo, engoli litros de esporra, levei com dezenas de caralhos no cú, vim-me sempre. “anda puta” “salta cabrona” “abre bem o cú badalhoca” eram frases tipicas do guião que exigia que seguissem. ouvi isso quase todos os dias. era um castigo que tinha a certeza que merecia. voariam assim todas as minhas culpas. assim era de facto a puta a ser fodida, mas por minha vontade e não de qualquer um. minha vontade. filmava tudo, para nunca esquecer. fotografava tudo para tentar num frame qualquer captar a minha alma a voltar. adormecia fodida e acordava com a ânsia de estar já a ser fodida, aconteceu várias vezes. quando a “fome” de ser fodida era terrivel e acordava e quem quer que fosse que me tivesse fodido já lá não estava… caça. foram vizinhos dos vários apartamentos onde fui vivendo durante essa peregrinação. foram hóspedes do quarto ao lado, empregados do room service, uma noite um rapazito da telepizza . fui uma máquina de foder… de ser fodida. um dia olhei-me no espelho da casa de banho, escorria e pingava de dois gajos qualquer que conheci aqui “que ganda puta te tornaste.. puta e burra”. limpei-me. despareci.